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Alívio da dorCiênciaFisioterapia

Quando a mãe interpreta a dor do filho: o que a ciência vem descobrindo sobre dor, proteção e cuidado

No último domingo, comemoramos o Dia das Mães, e talvez exista uma pergunta importante que mereça atenção:

O quanto a forma como uma mãe percebe a dor do filho influencia a própria experiência dolorosa da criança?

Um estudo recente publicado na revista científica PAIN buscou compreender justamente as perspectivas maternas sobre a dor infantil e como essas interpretações podem impactar sofrimento, comportamento e enfrentamento da dor. Um dado interessante do estudo foi que bebês prematuros passam por 7 a 17 procedimentos doloroso diariamente.

E o tema é profundamente humano!

Porque, diante da dor de um filho, dificilmente uma mãe permanece indiferente.  E dor repetitiva, pode prejudicar o neuro-desenvolvimento e regulação hormonal.
A dor atravessa o ambiente. Muda o humor da casa. Altera a rotina. Gera medo, preocupação e vigilância constante.
A ciência moderna da dor vem mostrando algo importante: crianças não aprendem sobre dor apenas através do corpo. Elas aprendem também observando reações emocionais, linguagem, comportamento e significado atribuídos pelos adultos ao redor.
Isso não significa que a dor “não seja real”.
Muito pelo contrário.
A dor é sempre real. Mas ela é influenciada por múltiplos fatores:

  • experiências anteriores;
  • emoções;
  • sensação de segurança;
  • percepção de ameaça;
  • e contexto familiar.

O artigo mostra que muitas mães interpretam a dor infantil como algo extremamente ameaçador, incapacitante ou perigoso. E isso é compreensível. Afinal, proteger é parte central da maternidade.
Hoje sabemos que o cérebro está constantemente avaliando sinais de segurança e perigo. Quando uma criança percebe que todos ao redor estão alarmados, apreensivos ou assustados com sua dor, o sistema nervoso pode interpretar aquela experiência como ainda mais ameaçadora.

E quanto maior a percepção de ameaça, maior tende a ser a proteção do corpo.

Por isso, a literatura científica atual vem reforçando algo muito importante: o tratamento da dor infantil não deve envolver apenas a criança, mas também pais e cuidadores.
Nesse trabalho divulgado pela PAIN, sugeriu-se entao que a criança tivesse  Contato Pele à pele com a mãe, lá na UTI.
E muitos relatos foram ouvidos, relacionado à conexão, realizacao, pertencimento e esperança.

Uma das mães relatou que: “Com o contato com meu filho, foi a única vez que me senti como se fosse mãe dela”.

E o mais importante: a segurança e o colo acolhedor de uma mãe gerando cuidado e segurança para o recém nascido na realização dos procedimentos.

É necessário explicar sobre dor

Educação em dor, acolhimento emocional e orientação familiar passam a fazer parte do cuidado. Validar a dor continua sendo essencial. Explicar que o contato Pele à Pele pode trazer muitos benefícios à curto e médio prazo.
Uma criança precisa sentir que está sendo compreendida.
Talvez uma das mensagens mais bonitas desse tipo de estudo seja entender que mães não são culpadas pela dor dos filhos. Pelo contrário: frequentemente são as pessoas que mais sofrem junto.

O amor materno tem uma capacidade imensa de aliviar dores.
Mas mães também precisam sentir segurança para não carregarem o peso do sofrimento sozinhas.

Mudar a dor no mundo.

Márcio Roberto Thomé

É Fisioterapeuta e procura de maneira simples, a melhor maneira de compreender e repassar seus conhecimentos sobre dor.

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